Gênese da Alma

 – TEMÁTICA CENTRAL:

     O intuito deste livro é demonstrar, com bases sólidas, fatos verificados e verificáveis; e, com argumentos irrefutáveis, a Imortalidade da Alma e, portanto, a Vida Eterna. E, para se aproximar tanto quanto possível dessa verdade, patente hoje aos olhos de todos, era dever traçar as linhas gerais da evolução, a começar do ponto em que se mostra o princípio anímico, embora em seu período embrionário. A alma não poderia deixar de ter o seu começo, o seu nascimento no reino animal, nos seres da criação, onde passou por todas as transformações indispensáveis ao seu progresso.

 

– DESENVOLVIMENTO DA OBRA:

     É um trabalho de síntese, sem fazer largas e longas explanações e evitando redundâncias permitindo assim, que a obra seja a mais leve e concisa possível. Nas palavras do autor “O Divino Mestre, ensinando seus discípulos; a orar, disse-lhes que não seria, pelo muito falar que seriam ouvidos por Deus; assim também não seremos compreendidos pelos homens pela quantidade de palavras, mas sim pela sua qualidade”.

    

– PONTOS MAIS RELEVANTES:

     A inteligência e o instinto, o raciocínio e a memória são os temas balizares como atributos do Espírito humano, encontrado também nos animais, embora menos desenvolvidos, e que o autor busca confirmar na alma imortal do animal, perfectível, e não havendo solução de continuidade entre o reino animal e o reino hominal que o homem também atravessou a escala zoológica para chegar a ser homem.

     Cita vários exemplos de comportamentos de determinados animais demonstrando capacidade, ainda que rudimentar, no campo do sentimento e da inteligência como sendo o prelúdio e o ensaio da alma nascente a voos mais consistentes ao longo da evolução, até alcançar o estágio primeiro da criatura humana, em que se apresenta para ser imagem e semelhança de Deus. 

     

     O Livro dos Espíritos na questão:

 593- Respondem a Kardec “(…). É verdade que na maioria dos animais domina o instinto. Mas, não vês que muitos obram denotando acentuada vontade? É que têm inteligência, porém limitada.”

 

597 – Pois que os animais possuem uma inteligência que lhes faculta certa liberdade de ação haverá neles algum princípio independente da matéria?

     “Há e que sobrevive ao corpo.”

  1. – Será esse princípio uma alma semelhante à do homem?

É também uma alma, se quiserdes, dependendo isto do sentido que se der a esta palavra. É, porém, inferior à do homem. Há entre a alma dos animais e a do homem distância equivalente à que medeia entre a alma do homem e Deus.” 

 

Na Gênese de Kardec Cap. X nos informa:

  1. Por pouco que se observe a escala dos seres vivos, do ponto de vista do organismo, é-se forçado a reconhecer que, desde o líquen até a árvore e desde o zoófito até o homem, há uma cadeia que se eleva gradativamente, sem solução de continuidade e seus anéis todos têm um ponto de contato com o anel precedente. Acompanhando-se passo a passo a série dos seres, dir-se-ia que cada espécie é um aperfeiçoamento, uma transformação da espécie imediatamente inferior. Visto que são idênticas às dos outros corpos as condições do corpo do homem, química e constitucionalmente; visto que ele nasce, vive e morre da mesma maneira, também nas mesmas condições que os outros se há de ele ter formado.
  2. Ainda que isso lhe fira o orgulho, tem o homem que se resignar a não ver no seu corpo material mais do que o último anel da animalidade na Terra. Aí está o inexorável argumento dos fatos, contra o qual seria inútil protestar. Todavia, quanto mais o corpo diminui de valor aos seus olhos, tanto mais cresce de importância o princípio espiritual. Se o primeiro o nivela ao bruto, o segundo o eleva a incomensurável altura. Vemos o limite extremo do animal: não vemos o limite a que chegará o espírito do homem.

 

– SOBRE O AUTOR    

     Cairbar de Souza Schutel foi um dos maiores vultos do Espiritismo brasileiro. Encarnado em 22 de setembro de 1868 na cidade do Rio de Janeiro, e desencarnado na cidade de Matão, Estado de São Paulo, no dia 30 de Janeiro de 1938, tornou-se incansável propagador da Doutrina Espírita, revelando uma operosidade sem par e uma fé inquebrantável nos ideais reencarnacionistas. 

     Tempos depois, surgiram nele diversas mediunidades, sobressaindo a da psicografia, por meio da qual o pai se manifestou, provando a sua sobrevivência. Foi então que Cairbar resolveu aprofundar-se no conhecimento doutrinário, estudando as obras básicas de Allan Kardec e todas as outras publicadas em português.

     Convertido ao Espiritismo, Cairbar Schutel fundou, no dia 15 de julho de 1905, o Centro Espírita Amantes da Pobreza, o primeiro em toda aquela zona paulista. Não satisfeito com isso, fundou em 15 de agosto de 1905 o jornal O Clarim, e, no dia 15 de fevereiro de 1925, de colaboração com o grande idealista Luís Carlos de Oliveira Borges, que lhe franqueou os meios materiais, lançava a Revista Internacional do Espiritismo. Esses órgãos circulam até hoje, representando exemplo vivo de luta e de persistência.

O livro pela simplicidade e pela síntese com que expõe os temas agradará, certamente, aos iniciantes da doutrina espírita.